quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Tudo mentira
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Lola I
Tudo parece novo...
Em sua janela - eterna namoradeira de lua cheia Lola pensa nas amantes de outrora... Quisera, um dia, aquela febre e se pergunta: Como fazer uma primavera sem amor?
Inventa uma flor...
Como dança o vento em suas folhas! Como subverte o tempo o beijo das amantes! Porque não adiam este dia? - pensa Lola As horas de amor não são eternas...
Já é primavera!
No corpo delas agora brotam suas flores Por entre seus dedos, presas nos cabelos Surgem drásticas como em meio a pedras Pela casa elas flutuam distraídas
Vivem o dia...
Primeiro dia de primavera que Lola anuncia Colorido de música, abençoado com chuva Molhadas de orvalho, dançam as amantes Escondidas da lua...
sábado, 27 de julho de 2013
ensaio
sábado, 27 de agosto de 2011
beijo grátis
sexta-feira, 8 de julho de 2011
não pode ser tocado
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
as árvores e o tempo

assisto ao fim de todos os sonhos bons, fico descrente embora tenha fé na vida. e se não possuo sonhos, posso ver também um lado da vida que chega a ser quem sabe obscuro, mas não quero que pareça necessariamente ruim, um lado que pinga numa constância ritmica até melancólica, chuva de dia inteiro que não cessa e que fica bonita ao fim da tarde. é como aquela idéia de um rio de janeiro que é beleza e tristeza, poesia física a ser vista, apreciada e claro, também depreciada. não posso falar também deste rio, este estado que precisa ser rompido abruptamente rompido, e deixado.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Do disco Elis - Como e Porque.
2o. A "filosofia" deste disco é outra. Outra é a pessoa que o gerou. Há razões profundas para que assim seja.
3o. O medo que eu tinha se me afigurou ridículo vendo aquele homenzinho solto no espaço. Sem cordão umbilical.
4o. As coisas que eu vi e vivi, nos lugares todos, se refletem na música que faço hoje e que, dependendo do que eu ver e viver, farei ou não amanhã.
5o. O Wilson chegou com uma batida estranha e um disco de Gerald Wilson debaixo do braço. Entramos na era do "rhythm'n'blues", que é a colaboração do blues para a vida do yé-yé. Eu e Antônio Adolfo "vibramos".
6o. Mudamos para o "Canto de Ossanha". Foi a colaboração do Baden ao "rhythm'n'blues".
7o. A gente sentiu que estava bom quando o Menescal aprendeu a dançar.
8o. O Jura saiu em campo, buscando um baixo-elétrico. As pessoas todas precisavam ouvir seus duetos alucinantes com a guitarra. Também elétrica.
9o. O Hermes está meio na "fossa". Os cubanos não inventaram a tumba eletrônica...
10o. Os arranjos são do Erlon.
11o. A foto é do Paulo Garcez. Meu alucinante amigo. De alucinantes bigodes e "pince-nez"... Do avô.
12o. O Armando mexeu nos botões todos do estúdio. E deixou o Deraldo doidinho.
13o. Recebi um grande crédito de meus músicos, meus produtores, meu marido. E de André.
14o. Será que o mereço dos demais? Dos que, à distância, vão escutar nosso trabalho?
15o. Que minha música seja escutada com o mesmo carinho com que é feita. E que não perca o fôlego nesse longo mergulho que é chegar até vocês.
Amém.
Elis Regina.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Os acrobatas
Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse fisica dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.
Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.
Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!
Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!
Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.
Como no espasmo.
E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus
Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.
E morreremos
Morreremos alto, imensamente
Imensamente alto.
Vinícius de Moraes.
sábado, 11 de dezembro de 2010
o dia
o que dizer depois de tanto tempo ? que muita coisa ocorreu, que minha esperança morreu ? não. direi que minha alegria é mais humilde e a perda humana, a séria falta das pessoas que eram pilares magistrais, deve ser vista como é: aprender a ser por si só. e procurar aonde seja aquela velha maneira de ser, ter fé na vida e entender nada, absolutamente nada porque fé é isso. não entender nada e ir.
e não sei pra onde vou, o que será depois de amanhã, não sei. o sol me cega e daí corro pelas horas, o dia azul, dia de verão, dezembro matando em cima e você correndo de dezembro, fingindo que é assim ainda um setembro. vamos seguindo malandramente pelo Rio. esse Rio de meu Deus do céu, o que será. planejo fugir pra sentir saudades e voltar a ti, jurando amor eterno, assim de um jeito bobo pra ti, Rio. volto sorrindo! me espera...
não importa o quanto se altere, o quanto de pessoas me reneguem e o quanto horas vendo a loucura se apossar irão durar, não importará. fé na vida virá, na estrada caminhar, andar pra não parar no mesmo lugar, ver ficar, ver partir e não parar pra pensar, apenas pensar no dia, somente no dia azul, no azul da manhã do dia que chegará.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
des-espero espero
sem motivos prevejo meu exílio
por não saber lidar com paredes
e deixar sempre as portas abertas
planejo um fuga discreta humilde
como quem pula pela janela
assim sem acordar a família, sem
ao menos dar um beijo na sobrinha
indo embora assim no vento
embora como que despercebida
apenas o gato negro a me fitar ciente
porque de fugas ele entende
e na noite a passar uma febre ardente
por estar tudo agora tão diferente
diferente sem você
diferente sem porquê
diferente só por ser
por ser vida à mercê
não te levo
mas espero
que saia
desse desespero
te busco
prometo
voltar e te despertar num beijo
mas só quando você acordar
mas só quando você acordar
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
retrato do desconhecido
Ele tinha uns ombros estreitos, e a sua voz era tímida,
Voz de um homem perdido no mundo,
Voz de quem foi abandonado pelas esperanças,
Voz que não manda nunca,
Voz que não pergunta,
Voz que não chama,
Voz de obediência e de resposta,
Voz de queixa, nascida das amarguras íntimas,
Dos sonhos desfeitos e das pobrezas escondidas.
Há vozes que aclaram o ser,
Macias ou ásperas, vozes de paixão e de domínio,
Vozes de sonho, de maldição e de doçura.
Os ombros eram estreitos,
Ombros humildes que não conhecem as horas de fogo do
amor inconfundível,
Ombros de quem não sabe caminhar,
Ombros de quem não desdenha nem luta,
Ombros de pobre, de quem se esconde,
Ombros tristes como os cabelos de uma criança morta,
Ombros sem sol, sem força, ombros tímidos,
De quem teme a estrada e o destino
De quem não triunfará na luta inútil do mundo:
Ombros nascidos para o descanso das tábuas de um caixão,
Ombros de quem é sempre um Desconhecido,
De quem não tem casa, nem Natal, nem festas;
Ombros de reza de condenado,
E de quem ama, na tristeza, a sombra das madrugadas;
Ombros cuja contemplação provoca as últimas lágrimas.
Os seus pés e as suas mãos acompanhavam os ombros
num mesmo ritmo.
Mãos sem luz, mãos que levam à boca o alimento
sem substância,
Mãos acostumadas aos trabalhos indolentes,
Mãos sem alegria e sem o martírio do trabalho.
Mãos que nunca afagaram uma criança,
Mãos que nunca semearam,
Mãos que não colheram uma flor.
Os pés, iguais às mãos
— Pés sem energia e sem direção,
Pés de indeciso, pés que procuram as sombras e o esquecimento,
Pés que não brincaram, pés que não correram.
Não direi, não terei a delicadeza precisa na expressão
para traduzir o seu olhar.
Não saberei dizer da doçura e da infância daqueles olhos,
Em que havia hinos matinais e uma inocência, uma tranqüilidade,
um repouso de mãos maternas.
Não poderei descrever aquele olhar,
Em que a Poesia estava dormindo,
Em que a inocência se confundia com a santidade.
Não poderei dizer a música daquele olhar que me surpreendeu um dia,
Que se abriram diante de mim como um abrigo,
E que me trouxe de repente os dias mortos,
Em que me descobri como outrora,
Livre e limpo, como no princípio do mundo,
Envolvido na suavidade dos primeiros balanços,
Sentindo o perfume e o canto das horas primeiras!
Não direi do seu olhar!
Não direi do seu olhar!
Não direi da sua expressão de repouso!
Ainda não sei se era dele esse olhar,
Ou se nasceu de mim mesmo, num rápido instante de paz
e de libertação!
Augusto Frederico Schimdt
(1906-1965)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Poema da Desintoxicação
Em densas noites
com medo de tudo:
de um anjo que é cego
de um anjo que é mudo.
Raízes de árvores
enlaçam-me os sonhos
no ar sem aves
vagando tristonhos.
Eu penso o poema
da face sonhada,
metade de flor
metade apagada.
O poema inquieta
o papel e a sala.
Ante a face sonhada
o vazio se cala.
Ó face sonhada
de um silêncio de lua,
na noite da lâmpada
pressinto a tua.
Ó nascidas manhãs
que uma fada vai rindo,
sou o vulto longínquo
de um homem dormindo.
João Cabral de Melo Neto
terça-feira, 27 de julho de 2010
entardecer-te
terça-feira, 13 de julho de 2010
sobre ir
assim que meu tempo sincronizar em mim e
ritmar o de dentro e o de fora, me vou
não vou longe, porém irei
levarei meus livros em uma estante
que carregarei nas costas
nos bolsos, mil coisas
são sementes, trocos dados e usados
sobras frias de comida que não ingeri
mãos sempre vazias, o que por elas passar
ou será jogado fora ou será
rapidamente engolido
o que importa é que vou e pelo redor,
pelas beiras, nos cantos e por aí
pessoas levarei poucas; gatos,
só os que me levarem consigo.
assim que ir, só o vento ocupará o espaço
antes gasto comigo
não precisarei mais de espaços próprios,
ocuparei a todos clandestinamente e
sorrateira irei para sempre embora
sem ninguém notar.
só existo no meu tempo sem espaço e
ninguém além de mim sabe
o compasso, por isso me vou...
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sala de esperar
com teus olhos perfeitos, tristes e conturbados
onde eu desejo me afundar eterno
pra você me salvar e ser minha sorte
minha ilha perdida, minha armadilha,
teus olhos fugindo, se escondendo no escuro
na profundeza abissal de teus pensamentos
onde eu me jogo e tento, aflita
me prender nas tuas coisas, tuas histórias
que me contas em detalhes tantos
mas de todos, só vejo teus olhos
portanto, me encontra e me olha
eu vou estar
cantarolando tua chegada
sentada na minha sala de esperar
domingo, 21 de março de 2010
.
bichas
dar a pata
terça-feira, 16 de março de 2010
extravagante demais, ácido demais
tudo se divide em semanas, tão rápido me passa. segunda-feira é dia de me vestir de Gente, do que quase me convenço durante a semana. mas, para minha sorte e perdição, no primeiro segundo da sexta-feira já me vem o tinhoso, me jogando em qualquer alucinação barata e acabo eu tendo a certeza que a verdade do mundo está nas ruas, e beijo fundo essas bocas que encontro, na tentativa de provar que não preciso de você, que outros me amam mais e melhor e que já me esqueci como era teu beijo, que nada vale mais para minha vida o veneno fraco que colocasse em mim... frustrada. porque era esse teu jogo, que eu me embriagasse lento com este veneno agridoce e logo depois precisasse de mais, de doses maiores e mais concentradas.
e falo do que passou e do que você me deixou; vícios irrecuperáveis, vida e morte de toda e qualquer esperança inútil, um princípio de enfizema pulmonar, infarto do miocárdio e mais o quê? o grande vazio nos olhos agora de vidro, areado e fosco. é claro que me precipitei, que enxerguei pactos no escuro, me meti toda na tua vida sem licença porque tudo é meu, mas você não era minha, só você e por que exatamente não poderia, que a quis. e no amor, eu tomo posse. o verbo é ter, não vou mentir. mas nada existia e você me vendava os olhos como quem quer fazer doer menos, segurava minha mão conduzindo uma criança para a sala de vacina e me olhava triste, meu deus você me olhava já sabendo que ia doer e que nada poderia fazer. e que viriam outras dores, quer dizer, você sabia que nada poderia fazer pelo meu amor, que era extravagante demais para você se vestir dele, talvez ácido demais para teu paladar discreto, e que seria necessário me machucar, de vez em quando. você me achava forte.
tudo passou, já não te vejo mais e não sei de ti. mas ainda penso em deixar os cabelos crescerem para você e penso ainda em teus caprichos de menina, que talvez seja uma questão de tempo para eu enfim atendê-los mais uma vez. o que você vai fazer com tua vida? a minha ainda anda presa a você como a vidas passadas, teu semblante surgindo ameaçador e incoveniente por entre as memórias, no meio do dia, do trabalho e mais constante, do sono. só o peso do que já vivemos alguma vez, certo lugar, mas que ainda não passou, prendendo meus passos no chão como grandes placas de concreto. de certa forma, abandonamos a obra pela metade porque passamos a não gostar mais da idéia inicial, deixamos aquele pedaço em branco mesmo, esquece tudo isso, não é arte, não é amor.
faça o que quiser, me prove que eu estava errada, me puna e me deixe ir. se perca com os teus amores pueris, que como eu, também são insensatos e te consomem. assuma as tuas dores e faça as tuas escolhas e as tuas perdas. mas a mim, que carrego o místico, esqueça simplesmente. não é preciso se preocupar com nada. nossos sonhos à noite guiarão nossos passos durante o dia. e assim, no auge dos nossos vinte-e-poucos-anos, mas já carregadas de nostalgias, correremos sobre o mundo pisando e esmigalhando toda a antiga verdade dos tolos que simplesmente vagam bovinamente, pastando e digerindo merda. nós, em uma tarde vazia de janeiro levemente ensolarada, em que nada mais houver para correr, talvez nos encontremos sem combinarmos, e com as mãos já marcadas - o tempo - exterminaremos todo aquele branco deixado para trás e criaremos, juntas, alguma coisa que alguém muito simples possa olhar e chamar, enfim, de bela.
sábado, 13 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
saudade, vai tomar no cu
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
àquelas pernas
OH DEUS eu te peço que não leve essas pernas para longe de mim eu te peço para que mude a direção do andar destas pernas até mim que ao lado destas pernas só há felicidade sem fim e que seja sem fim que elas perambulem por aí mas que ao fim do dia estas pernas retornem para mim
OH DEUS eu que nem sei se acredito em você te rogo que conserve o tom sadio dessas pernas e que as proteja de qualquer artrite artrose osteoporose e vitiligo porque naquelas pernas não pode haver nada disso porque são pernas divinas torneadas por anjos torneiros mecânicos e por isso só merecem os melhores sumos hidratantes preparados por ninfas saltitantes
OH DEUS eu te peço ainda se não for muita ousadia que estas pernas se voltem para mim porque por estas pernas eu pego as minhas e corro até elas porque elas são a inspiração desta gata velha que fracassada só carrega na memória a intenção de um dia se enroscar denovo naquelas pernas e dormir naquelas pernas e acordar naquelas pernas e viver sempre ao lado daquelas pernas
porque todo gato, DEUS, tem adoração por pernase as que eu achei, me deixaram saudades eternas.
28.09.08
